sábado, 8 de dezembro de 2012

Mar, Mulher


Mar, Mulher

     Nas encostas, presentes sempre está. Mesmo calma, demonstra imensa força, uma energia contida, num toque feminino de espera e paciência...
     Sua força acumula-se ao passo das coisas, transborda ao sabor do vento, tremula em ondas, cintilando um brilho belo, evaporando concentrando seu sal... Suave, toca rochedos impassíveis, acaricia fendas cortantes, derramando-se sobre eles com dedos macios, vai infiltrando nas rachaduras, empoçando nos rebaixos, transformando-os, moldando-os, salgando-os, dando de si...
    Com aparente sofreguidão, beija as praias e baias, delineando a procura de algo que não sabe e nem conhece, mas continua indo e vindo... Incansável e sempre diferente, vai e vem...
    Em si, longe do quadro, à revelia, ao som triste embargado em voz de sereia, encontra-se imensa, às vezes, calma demais, noutras, puta!
     Furiosa, chora confusa, então ri, embora triste, espera...
     Tudo parece à deriva, no oceano que te envolve, sabes que podes contar com o sol e a chuva, o dia e a noite...   E tudo te toca, te move, te muda...
      Ora doce, ora salgada, ora quente ora fria... Então o vento é um caminho, o calor do sol alimento, a chuva desabafo, o amanhã um recomeço, à noite esperança...
    O tempo passa, e sabes que também cresce, e quando as coisas parecem insuportáveis, a vida lhe dá suprimento/ base, extraindo, quase arrancando sua reação, e em sua arre-bentação, encontra seu espaço, sua vida...
     Seria você, mar?    Mulher?     Ou meu amor? 
                                                                 (Marinheiro) 

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